domingo, 12 de maio de 2024

O infortúnio de amar

 Amar-te é uma dor que não se esconde,

Incendeia, uma lume que aos poucos se exaure,

Como uma tormenta que irrompe, sem alarde,

Um frenesim de emoções que não se reprime.


Amar-te é vivenciar cada fração do meu ser,

Dilacerado pela saudade que insiste em inflamar,

Vazio que me traga, sem me desprender,

Uma ferida aberta que se recusa a curar.


Não obstante, te amar é a maior das glórias,

A sagração e infortúnio, simultaneamente,

Pois mesmo na aflição, encontro a graça que enfeitiças.


Que esta sina seja afável, essa aflição que me exaure,

Pois na afeição que nos reúne, abrigamos o genuíno sentido,

E no teu olhar, encontro o refúgio para tudo o que doi.


João Gabriel Manzi 

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